E quando a consagrada Leandra Leal tem dificuldade para captar recursos?
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O filmes Divinas Divas é uma
estreia e tanto para a já consagrada atriz Leandra Leal, que agora resolveu se
lançar como diretora, e parece ter acertado na escolha. O longa já acumula prêmios
como: Melhor Documentário pelo voto
popular e foi eleito Melhor Documentário pelo Prêmio Felix (voltado para
produções com temáticas relativas à diversidade de gênero) no Festival do Rio
2016, o Prêmio do Público da Mostra Global do Festival South by Southwest, em
Austin, no Texas e Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Direção no 11º Fest
Aruanda do Audiovisual Brasileiro, em João Pessoa.
| Foto: André Luis Moreira/ Cine Puau |
Leandra Leal e a diva Jani di
Castro estiveram em uma sessão-debate no Cinemas Teresina durante a noite desta
sexta-feira (30/06), e em entrevista coletiva ela falou que o filme não é
militante, destacou o trabalho das divas e lembrou que o longa diz muito sobre
a sua infância, pois o teatro usado para o filme, e onde aconteceu o espetáculo pertence
a sua família, além de lembrar a importância na mulher no cinema.
“A gente precisa de mais
histórias sobre o ponto de vista feminino, nos mulheres precisamos contar nossa
história, não que o homem não possa contar nossa história ou que uma mulher não
possa contar a história de um homem, mas nós precisamos sim ter mais espaço”.
Captação de recursos
O Cine Piau esteve na coletiva e perguntamos para a diretora sobre as
dificuldades de capitar recursos, não sendo uma Globo Filmes da vida, e o que
chama atenção é que mesmo ela já sendo uma atriz consagrada, tendo mais de 30 prêmios
só no cinema, ela teve sim muitos problemas em arrecadar dinheiro para produzir
o filme.
“A gente teve que ser criativos. Durante muito
tempo eu banquei sozinha, mas tinha também o espetáculo e tinha o deadline. Ai já não dava mais pra bancar
porque eram outros gastos. Então a gente entrou em um edital da Prefeitura do
Rio de Janeiro para bancar o espetáculo, já para bancar a filmagem do
espetáculo, que seria o filme, nós fizemos um financiamento coletivo, que foi
bastante importante porque isso gerou um debate”, diz.
Para a diretora foi nesse momento
que o filme virou uma causa. “Porque a gente levantou um debate e desabafamos
para todo mundo nossa dificuldades de captar recursos até mesmo via edital, e
só depois que o filmes estava quase pronto que ganhamos um edital”, desabafa.
| Leandra e Jani no bate-papo - Foto: André Luis Moreira/ Cine Piau |
A bilheteria expressiva abre novos espaços
O filme está conseguindo boas
bilheterias em cinemas brasileiros e está ganhando um destaque na mídia.
Leandra e as divas estão sendo chamadas por vários programas de TV para falar
sobre o longa.
“A gente ter uma bilheteria muito
expressiva é importante para que a próxima pessoa que for fazer um filme com
essa temática tenha um kaiser de
sucesso e acredite que existe público para este tipo de filme”, comenta.
O debate sobre gênero
| Diva é diva né meu amor - Foto André Luis Moreira/ Cine Piau |
Jani di Castro, uma das oito
divas esteve presente na coletiva, ela conta suas experiências como uma travesti
que fazia shows em uma época de repressão, que era a década de 60. Aproveitou
para elogiar o trabalho de Leandra Leal: “Nós tivemos muitas pessoas querendo
fazer documentários sobre o nosso espetáculo. A Leandra viu nossa história no
palco e quatro anos depois ela me procurou para fazer esse documentário. Ee ela
só queria o nome Divinas Divas. Aceitei porque vi que ela acreditou no filme”.
A repressão da época foi
comentado pela atriz que disse ter sofrido bastante com a censura da ditadura.
“Tinham pessoas preconceituosas, que não gostam, mas mesmo assim algumas delas
iam por curiosidade, pensando que iam ver baixaria. Aí quando chegavam e viam
artistas cantando e representando, elas se surpreendiam. Nós não podíamos andar
vestidas de mulher no meio da rua. Tudo era proibido porque era época da
ditadura”, afirma.
A sessão-debate lotou a sala 4 do
cinemas, e a conversa aconteceu após o termino do filme, que foi aplaudido de
pé pela plateia.
O filme estreou dia 22 de junho e
está em cartaz no Cinemas Teresina nas sessões de 19:30 e 21:50. A direção do
cinema pretender deixar na programação por pelo menos três semanas.
A diretora deu um alô para você e te convida e assistir Divinas Divas:
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