Leandra Leal, em Teresina, fala sobre a importância da mulher no cinema
Antes de mais nada é importante dizer que o filme Divinas Divas reúne uma beleza verdadeira e quem assiste não consegue ficar sem se emocionar, além de se divertir e, claro, refletir.
Como a própria diretora diz, é um filme que discute o gênero sem nenhum tipo de militância. A atriz consagrada nas novelas e no cinema, agora estreando como diretora, Leandra Leal, esteve em Teresina na noite desta sexta-feira (30/06).

Leandra leal em debate sobre filme Divinas Divas nos Cinemas Teresina / (Foto: André Luis/ Cine Piau)
Leandra Leal conseguiu retratar as travestis de forma tão natural que acaba-se por esquecer que elas um dia já foram homens. O filme é um documentário que conta a história de oito travestis que se apresentavam em teatros na década de 60 e que depois de dez anos estão voltando aos palcos para um espetáculo. Todas juntas.
Na noite desta sexta houve uma sessão com debate, que teve a presença da nova e promissora diretora Leandra Leal e da diva Jani di Castro. A sessão com debate faz parte da programação de uma iniciativa chamada Sessão Vitrine, onde a distribuidora Vitrine Filmes exibe 20 filmes nacionais, sendo um por semana, que não são considerados comerciais em cinemas de todo o Brasil. E em alguns filmes acontece a sessão com debate, onde o diretor vai ao cinema e faz um bate-papo com quem assistiu.
51 ANOS DE CARREIRA
A diva Jani di Castro foi a primeira a chegar e já foi logo contando suas experiências como uma travesti que fazia shows em uma época de repressão, que era a década de 60. Aproveitou para elogiar o trabalho de Leandra Leal: “Nós tivemos muitas pessoas querendo fazer documentários sobre o nosso espetáculo. A Leandra viu nossa história no palco e quatro anos depois ela me procurou para fazer esse documentário. Ee ela só queria o nome Divinas Divas. Aceitei porque vi que ela acreditou no filme”.

Jani Di Castro / (Foto: André Luis/ Cine Piau)
A repressão da época foi comentado pela atriz que disse ter sofrido bastante com a censura da ditadura. “Tinham pessoas preconceituosas, que não gostam, mas mesmo assim algumas delas iam por curiosidade, pensando que iam ver baixaria. Aí quando chegavam e viam artistas cantando e representando, elas se surpreendiam. Nós não podíamos andar vestidas de mulher no meio da rua. Tudo era proibido porque era época da ditadura”, afirma.
“NÃO É UM FILME MILITANTE”
Leandra Leal chegou logo em seguida para participar da entrevista. Ela ressaltou principalmente a importância do filme para gerar uma discussão sobre genro e preconceito, mas deixa claro que o longa não é militante. “Minha primeira intenção de fato foi promover o talento das artistas. Depois eu fui perceber que ele poderia trazer uma discussão sobre este assunto”.
Leandra Leal também falou sobre o preconceito que vivemos hoje em dia “Elas começaram em uma época que era muito mais difícil do que hoje, vários direitos LGB já foram conquistados naquela época, mas em compensação hoje em dia a gente vive um preconceito maior por parte da sociedade. E eu repito isso aonde eu vou: O Brasil é o país que mais mata travesti no mundo”.

Jani Di Castro e Leandra Leal nos Cinemas Teresina / (Foto: André Luis /Cine Piau)
“NEM UM FILME SOBRE MINHA HISTÓRIA”
O teatro onde se passa o filme pertence à família da diretora Leandra Leal, onde ela cresceu e teve as melhores lembranças como atriz. Foi onde subiu pela primeira vez ao palco, com apenas um mês de vida, ao lado dos pais.
Leandra explica que o teatro significa muito em sua vida e carreira. E explica que o filme é sobre as divas, não sobre sua história de vida. “Quando eu comecei a fazer o projeto, eu queria mostrar elas, o talento delas. Depois que comecei a perceber que esse espetáculo, que elas e que este universo vivem, falava muito sobre a minha infância. No filme tem planos que é como se fosse eu observando da coxia. Este filme é sobre elas, existe o teatro, que é um personagem também, e existe a minha relação com elas e com o teatro”, relata.
A MULHER NO CINEMA
O filme tem sido muito bem visto, tanto pela crítica, quanto pela mídia e está começando um debate sobre como existem poucas mulheres dirigindo e fazendo filmes do ponto de vista feminino.
Leandra Leal destacou a importância do debate e observou que de 30 filmes em que ela participou apenas um foi dirigido por uma mulher. “A gente precisa de mais histórias sobre o ponto de vista feminino, nos mulheres precisamos contar nossa história, não que o homem não possa contar nossa história ou que uma mulher não possa contar a história de um homem, mas nós precisamos sim ter mais espaço”.
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