Todas as Horas do Fim; Diretores falam ao Cine Piau sobre produzir o filme sobre Torquato Neto
O Cine Piau entrevistou os diretores, do primeiro longa metragem sobre Torquato Neto que será exibido em salas de cinemas, e eles falaram sobre as
motivações que os levaram a produzir o filme, sobre as repercussões e
dificuldades. “A ideia surge de identificar no Torquato uma figura muito
importante na cultura brasileira. Mas ele é conhecido apenas pela parte
da poesia, ele tem várias faces como cineasta, jornalista e isso é pouco
conhecido. Ele tinha uma importância muito grande e ao mesmo tempo um trabalho
e uma vida muito obscura que as pessoas não conhecem. A gente fala o nome dele
e as pessoas dizem que já ouviram falar ou conhecem uma música e nem sabem que
é dele”, diz o diretor Marcus Fernandes ao Cine Piau.
Foi exatamente este fatores que o levaram querer produzir um filme sobre
a vida do poeta piauiense . “Então eu achei que era importante revelar um pouco
mais dessa figura tão importante. Eu já conhecia boa parte do trabalho dele mas
tive que ir a fundo para descobrir mais coisas”, explica o cineasta.
O filme é dirigido também pelo cineasta Eduardo Ades, que já tem um bom
currículo em sua carreira. Ele explica que a película pretende mostrar todos os
lados artístico de um dos maiores nomes da cultura brasileira, que mesmo sendo
tão grande é pouco conhecido até mesmo pelos piauienses.
POTÊNCIA ARTÍSTICA DE TORQUATO NETO
“O objetivo do filme é dar conta dessa potência artística do Torquato, o
quanto que ele se expressava em múltiplas linguagens, é um filme que trata
dessa ligação muito íntima que ele tem entre a vida e a poesia. O quanto que
ele produzia a partir do que ele vivia e o quanto que ele vivia a parte do que
ele produzia”, diz ao Cine Piau.
Ainda segundo Eduardo, o filme conta a vida de Torquato, sempre deixando
ele como o grande protagonista da história. “A gente tem o objetivo
bibliográfico de contar a vida dele. Mas não é uma mera biografia. É uma
tentativa de chegar ao pensamento vivo do Torquato”, comenta.
Mesmo eles tentando mostrar todas as faces do nosso Anjo Torto, os
cineastas admitem que o lado poeta do Torquato acaba se sobressaindo porque
segundo os cineastas, tudo que o piauiense produzia era poesia, desde os textos
em sua coluna de jornal até as cartas que escrevia. “No filme dizem que a
poesia dele estava em todo o lugar. A poesia não está só na poesia nem muito
menos só na letra de música”, disse Marcus.
CINCO ANOS PARA FICAR PRONTO
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Marcus está estreando no cinema (Foto: André Luis/Cine Piau)
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O longa levou cinco anos para ficar pronto e teve muitas dificuldades
para ser produzido porque pouco se tem de material audiovisual com o poeta.
Além do fator de direitos autorais, que encareceram ainda mais a produção, mas
nada disso os desanimou a seguirem em frente com projeto, muito pelo contrário.
Estes fatores fizeram eles construírem uma narrativa original.
“A gente optou por só falar com pessoas que conheceram o Torquato, que
tiveram relação direta com eles. Não queríamos falar com nenhum tipo de
especialista, pesquisador. Fizemos isso para ter esse olhar em primeira pessoa
mesmo”, diz Marcus.
No filme também aparecem os grandes nomes da Tropicália, como Caetano
Veloso e Gilberto Gil, além de amigos e familiares do poeta que conviveram com
ele. No entanto, segundo os diretores, nenhum deles aparece em imagem, ou seja,
todos vão surgir em off(apenas a voz).
Eles explicam que fizeram isso para não tirar o protagonismo do
Torquato, já que não possuem nenhuma imagem do próprio poeta falando. “Em
determinado momento da montagem a gente optou por tirar toda a imagem dos
entrevistados. Manter só o som da fala deles e reconstruir essa visualidade do
filme a partir de imagens do cinema novo, cinema marginal. Uma
visualidade mais ligada a própria estética do Torquato. E se o Torquato não
aparece falando por que os outros vão aparecer?”, observa o cineasta Marcus.
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Eduardo é formado em cinema e já participou de outras produções (Foto: André Luis/Cine Piau
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REPERCUSSÃO
O filme já participou de 15 festivais pelo Brasil e ganhou vários
prêmios em categorias diversas que vão desde melhor filme à melhor trilha
sonora. “É um filme que está sendo muito bem recebido e as pessoas realmente
estão embarcando. Ganhamos nove prêmios. Ganhamos em João Pessoa com o prêmio
especial do júri. Lá também ganhamos melhor edição e melhor trilha sonora. No
Rio foi o melhor longa e melhor filme pelo júri popular”.
O filme tem previsão para estrear nos cinemas de todo o Brasil a partir
do segundo semestre de 2018. Esta será a primeira vez que a vida e obra do
poeta piauiense Torquato Neto será contada nas telas de cinema.



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