Cineasta Eduardo Nunes fala sobre a importância do cinema autoral no Brasil e explica sua bela linguagem cinematográfica
![]() |
| Diretor Eduardo Nunes comenta sobre sua linguagem (Foto: André Luis Moreira/ Cine Piau |
Eduardo Nunes é formado em cinema pela Universidade Federal Fluminense e desde 1994 produz filmes. Nos seus primeiros anos como cineasta, o carioca produziu diversos curtas. E desde já, despontou como um grande cineasta, pois o seu primeiro filme, “Sopro” de 1994, já emplacou participações em festivais de cinema pelo mundo inteiro, entre eles o Festival Internacional de Berlim.
Um ano depois, em 1995, o recém-formado em cinema já produziu seu segundo filme chamado ‘'Terral”, este ganhou 18 prêmios em festivais pelo mundo. Também dirigiu diversos programas educativos para TV Bandeirantes, TV Cultura, TV Escola e TVE. Escreveu, em parceria com Lírio Ferreira, Hilton Lacerda e Sérgio Oliveira, o roteiro de Árido movie (2005), de Lírio Ferreira. Estreou em longa-metragem com Sudoeste (2011), filme de encerramento do Festival de Gramado de 2011 e selecionado para a Première Brasil do Festival do Rio.
Desde 2017 ele viaja o mundo inteiro apresentando o filme “Unicórnio” em vários festivais como o Festival de Berlim e o Festival do Rio. O longa é inspirado nos contos da autora brasileira Hilda Hilst e conta a história de uma menina que vive em uma colina com a mãe e na ausência do pai se ver em uma situação que mexe com a relação das duas ao cruzarem o caminho com um criador de cabras.
SESSÃO DEBATE EM TERESINA
Após apresentar o filme nos festivais, Eduardo está rodando o Brasil participando de sessões com debate sobre o longa “Unicórnio”. E a primeira cidade a desembarcar foi Teresina, onde nossa equipe conversou com o diretor, que falou sobre sua carreira como cineasta, sobre sua linguagem e sobre o filme.
Carismático e atencioso, o diretor deixou claro que foi muito bem recebido em Teresina e comentou sobre uma ótima carne de sol que ele provou na capital do Piauí. “Estou sendo muito bem tratado aqui, o Douglas (curador da sessão debate em Teresina) é ótimo ele me levou para comer uma carne de sol maravilhosa”, comenta.
Eduardo explica ao Cine Piau que cinema sempre esteve nos seus planos de vida, mesmo o pai seguindo uma carreira totalmente diferente da dele. “Antes de tudo eu sempre quis fazer cinema, meu pai era arquiteto eu cheguei a pensar em fazer arquitetura, mas nunca cheguei a fazer vestibular para área. Então eu tentei cinema. A primeira vez eu não passei e na segunda eu consegui”, relata.
Assim como todos que resolveram seguir carreira no cinema, Eduardo diz que se interessou pela área pelo fato de gostar muito de ver filmes. “Antes de tudo veio por uma relação afetiva, não só dos filmes, mas do espaço da sala de cinema. Eu gosto de estar dentro de uma sala, olhar na tela, sentir aquele espaço. Eu não sinto este mesmo prazer vendo filmes em casa. A partir daí eu tento fazer filmes. Os filmes que eu gostaria de ver”, explica.
Veja também: Sessão debate com diretor do filme Unicórnio, lota sala do Cinemas Teresina e longa encanta plateia
LINGUAGEM
Quem conhece os filmes do diretor sabe que ele preza mais pela imagem e pelos sons do que pelo diálogo. Você percebe tanto em seu primeiro longa, “Sudoeste”, quando em “Unicórnio” que ele usa planos longos e vários minutos de silêncio que casam bem com a trilha sonora.
“Eu gostaria que meus dois longas fossem mais diferentes, mas são muito parecidos. Eu acho que isso vem um pouco do cinema que eu acredito. Eu gosto de todos os tipos de filmes, mas quando eu vou fazer um filme eu acredito em um cinema que usa o espaço do cinema como sala de experiência sensoriais. Várias vezes meus filmes ficam com a tela preta e você só tem sons, às vezes você só tem imagens. Assim o espectador vai viajando junto com os personagens e isso é muito importante para que as pessoas se deixem envolver pelo filme e se sintam no lugar do personagem. E a partir desse momento, que eu acho isso importante, os filmes que vou fazendo eu procuro reproduzir isso”, diz.
Com essa linguagem, ele acredita que acaba ganhando uma característica como autor e tem a expectativa de que no futuro acabe sendo reconhecido por este tipo de filme. “Quando você faz cinema como arte é importante descobrir a sua forma de falar com o mundo. É o que eu estou tentando fazer”, fala.
![]() |
| Cena do filme Unicórnio |
A IMPORTANCIA DO CINEMA AUTORAL
“Eu gosto do cinema de entretenimento, vou ver os filmes da Marvel e da DC Comics. Mas eu acho que o cinema, ele é uma arte muito recente ainda se você comparar com todas as outras artes, eu acho que não precisa ter um preconceito contra o cinema autoral. Por que ele não é um cinema distante do público, pelo contrário, ele é um cinema que tenta outro tipo de contato”, observa.
Ainda falando de cinema autoral, o diretor comenta que tem uma proposta de experimentar coisas que ninguém tem coragem de fazer, e que assas experiências podem ser bem aceitas dentro da indústria, fazendo com que outros filmes comecem a usar isso também. “O cinema autoral tem essa função de experimentar linguagem, de buscar novas formas de contar aquelas mesmas coisas”, ressalta.
Eduardo lembrou de quando começou a estudar cinema em 1994. Uma das épocas mais escuras para o cinema nacional, pois a Embrafilme havia sido extinta e já fazia vários anos que não se produzia nada no Brasil. “Na época eu não aconselharia ninguém a estudar cinema”, pondera.
E comparando esse período com o de hoje, ele observa o quanto o cinema brasileiro evoluiu e tem espaço para todos os tipos de produções. Desde o comercial ao experimental. “Hoje eu acho que a gente tem um equilíbrio muito interessante entre o cinema comercial e o cinema autoral. E cada um deles tem sua importância dentro do mercado", diz
"O cinema comercial movimenta mais recursos, faz o público assistir os filmes brasileiros e cria um mercado de trabalho muito legal, mas sempre se repete. Ao mesmo, tempo que o cinema autoral tem um público menor, não movimenta tanto dinheiro, mas procura filmar uma própria cultura brasileira, buscar novos caminhos de contar as mesmas histórias. Um cinema que provavelmente vai representar o Brasil em festivais e mostra o Brasil para o mundo. Cada um tem seu espaço”, afirma.
"O cinema comercial movimenta mais recursos, faz o público assistir os filmes brasileiros e cria um mercado de trabalho muito legal, mas sempre se repete. Ao mesmo, tempo que o cinema autoral tem um público menor, não movimenta tanto dinheiro, mas procura filmar uma própria cultura brasileira, buscar novos caminhos de contar as mesmas histórias. Um cinema que provavelmente vai representar o Brasil em festivais e mostra o Brasil para o mundo. Cada um tem seu espaço”, afirma.
![]() |
| Cena do filme Sudoeste de Eduardo Nunes |




Comentários